complexidade

O inicio desse texto ocorreu pela maneira que estamos pensando nossa posição como arquitetos hoje. Contudo, não propriamente na questão de como vemos a arquitetura, mas sim como entendemos a complexidade que nos rodeia e de como tentamos lidar com ela. Uma complexidade que nesse momento não se referencia e muito menos se pauta pelo caos, não excluindo que ela em situações extremas pode causá-lo.

Acredito que a complexidade está inicialmente na maneira como encaramos o nosso processo de interpretação da problemática urbana, que impreterivelmente abrange e influencia os projetos que estamos pensando hoje.

Complexidade como afirma Edgar Morin está relacionada com a ordem e a desordem, como certos elementos se encontram e desencontram no tempo, gerando incertezas nesse grande arranjo humano. E é essa complexidade incerta que se faz importante, pois a não certeza do resultado leva a um processo de trabalho no qual o projeto passa por um ciclo helicoidal, se distanciando e voltando constantemente a questões colocadas, que o obriga a se reafirmar constantemente até sua execução.

Esse processo projetual é regido por uma complexidade da técnica, da escala e do pensamento humano, logicamente esse ultimo engloba a técnica e a escala porém essa pequena separação possibilita uma análise primária do que está em pauta, facilitando uma certa contextualização. Essas variações da complexidade são facilmente percebidas no desdobrar do tempo, quando analisamos a Santa Maria Del Fiore em Florença de Brunelleschi e a Notre Dame du Hautem em Ronchamp de Le Corbusier e como a complexidade atinge cada caso e quais especificidades se desdobram. Como o ornamento é utilizando, considerando sua técnica, escala e de como ele foi entendido no momento histórico.

Tendo como certeza que cada projeto atende a elementos específicos, fugindo de uma generalidade massiva, isso dentro de um mesmo tempo histórico, há uma necessidade de pensarmos como podem ser as estratégias iniciais de abordagem projetual, ou seja, como podemos entender e atender o que nos está sendo perguntado e ainda de qual maneira podemos relacionar isso ao espaço urbano construído e a construir.

Assim acredito que é a complexidade da técnica, da escala e do homem que possibilita uma estratégia de como podemos entender e arranjar certos pontos, indiferentemente se esses pontos tendem a uma generalidade ou não. Pois cada ponto desses leva a interpretações iniciais e resultados finais distintos, interligados em certo momento e decorrentes de escolhas tomadas. Ao pensarmos a complexidade da técnica, observamos que ela varia conforme o contexto no qual o projeto será implementado, do custo que terá e ainda de uma expressividade ou imagem final desejada. Já a complexidade da escala percorre desde os pormenores até o contexto urbano, e quando pensamos nos pormenores, a menor escala possível a ser executada, a técnica é o inicio, enquanto na escala mais ampla o contexto é inerente. Não no fato de suas relações históricas ou ainda em uma referência aos padrões estabelecidos, mas sim como a obra pode impactar imediatamente e a longo prazo o contexto. Muito desses impactos não são possíveis de mensurar mas sim de vislumbrar, até mesmo porque seu resultado será uma conseqüência que ultrapassa a escala imediata e transcende para políticas públicas quando a necessidade e a complexidade atinge outros parâmetros.

Ao longo do texto utilizo o termo estratégia, pois  o termo metodologia, que por definição é algo mais rígido e repetitivo, não condiz com a maneira como está se direcionando o nosso processo projetual. Contudo para nós existe um ponto especifico, uma questão de como essas estratégias são montadas para que possamos obter melhor resultado desse processo complexo. Sua pertinência decorre da escala e do questionamento que queremos atravessar e ainda chegar, mais que um simples resultado formal final.

Ao contextualizarmos a complexidade  ela se relaciona em certo momento com a pluralidade e a multiplicidade, condições globais que o processo projetual deve entender ao longo de seu percurso, tendo em conta a evolução do pensamento complexo humano através de uma multiplicidade e pluralidade cada vez mais significativa. Assim, para perseguirmos uma sintonia com o momento vivido necessitamos da multiplicidade e da pluralidade como ferramenta no processo de projeto.

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