Pensar a região portuária da cidade do Rio de Janeiro para receber um evento como uma olimpíada é trabalhar a relação entre permanência e transitoriedade. Entre o que é passageiro, efêmero, e as coisas que constituem o que se costuma chamar, nesse caso, de legado.

Um evento desse porte preenche os espaços da cidade com vitalidade e ação. Os esportes olímpicos, vistos através das imagens divulgadas pela mídia, carregam consigo a idéia de que os lugares da metrópole estão plenos de seres humanos no ápice de suas capacidades físicas e mentais. O ser humano em seu estado de excelência.

Uma vez encerrado o evento, resta à população local a tarefa de atribuir novos significados aos edifícios projetados para abrigar os usos transitórios. Torna-se necessário preencher esses espaços com novas atividades: trabalho, descanso, lazer, enfim, dar vida às estruturas que permanecem.

A proposta para o projeto do Porto Olímpico parte do princípio de que a relação entre os edifícios construídos – permanentes – e o evento olímpico que se encerra – transitório – pode ser trabalhada interpretando-se a prática esportiva como um modo de vida que ocorrerá nesses dois momentos.

Entendendo o evento olímpico como efêmero, propõe-se à incorporação de amplas áreas de lazer públicas e privadas aos complexos edificados, onde as atividades de trabalho e moradia se mesclem com atividades de entretenimento, principalmente a prática de esportes entendida como elemento crucial na qualidade de vida dos cidadãos.

Trabalhar uma operação urbana da magnitude do Porto Olímpico, de modo a permanecer como legado para a cidade que hospeda os jogos é uma tarefa complexa. Para abordá-la de modo consistente e eficaz faz-se necessário pensar um plano arquitetônico e urbanístico não como gerador de objetos conclusos e sim como desencadeador de ações de planejamento que se concretizarão aos poucos, à medida que a cidade for se transformando historicamente.

Trata-se de abordar a arquitetura e o urbanismo como projeto coletivo, nascido da abundância de idéias provocada pelo debate conjunto, levando sempre em conta o consenso de que os espaços públicos e comunitários são os principais geradores de qualidade urbana. É entender a arquitetura e urbanismo como obra aberta, passível de apropriação e transformação pelas pessoas quando usufruem dos espaços planejados. A arquitetura e o urbanismo vistos não como certeza ou caminho único, mas como convicção, muitas vezes como polêmica provocada pelasidéias novas, pela reflexão sobre novos modelos de planejamento.

A intervenção se pauta pela pesquisa de soluções para problemas centrais como densidade, verticalização e escala. Essa reflexão teórico-prática resulta em diretrizes para se pensar o lugar como forma e como construção voltada para o uso humano.

‘Thinking about the port area of Rio de Janeiro to host an event like the Olympic Games is working the relationship between permanence and transience. Betweenwhich is transitory, ephemeral, and the things that constitute what is usually called, in this case, the legacy.

An event of this magnitude occupies the spaces of the city with vitality and action. Olympic sports seen through the pictures released by media carry the idea that the places of the metropolis are full of people at the top of their physical and mental abilities. The human being in a state of excellence.

Once the event ended, the local population remains the task of assigning new meanings to buildings designed to host temporary uses. It is necessary to fill those spaces with new activities: work, rest, leisure, giving life to the structures that remain.

The proposal to the project of Olympic Port assumes that the relationship between the buildings built – permanent – and the Olympic event that closes – transitional – can be thought of taking the sports practice as a lifestyle that occurs in these two moments.

Understanding as ephemeral Olympic event, it is proposed the incorporation of recreational areas, public and private, to the complex of buildings where the work activities and housing mixing with entertainment activities, especially sports seen as a crucial element in quality of life for citizens.

Working an urban operation of the magnitude of the Olympic Port in order to remain as a legacy to the city hosting the games is a complex task. To treat it consistently and effectively it is necessary to think of an architectural and urban plan not like concluded or as a generator of objects but rather as a trigger for planning initiatives to be realized gradually, as the city is transforming over the years.

It is dealing with architecture and urbanism as collective project, born out of an abundance of ideas caused by joint discussion, always considering the consensus that public spaces and community are the main generators of urban quality. It is understand the architecture and urban planning in open work, capable of appropriation and transformation by the people when they enjoy the spaces planned. The architecture and urbanism seen not as sure or unique way but as belief, often as a polemic caused by new ideas, thinking about new models for planning.

The intervention is guided by the search for solutions to key problems such as density, vertical integration and scale. This reflection results in guidelines for thinking about the place as a construction dedicated for human use.’

status: concurso

equipe: Emerson Vidigal, Juliano Monteiro, Adriane Nunes, Eron Costin, Dario Correa, Gustavo Utrabo, Felipe Sachs, Thiago Maoski, Pedro Duschenes, Fábio Faria, João Cordeiro, Mocir Zancope.

consultores: Eng. Jeferson Andrade Rezende (Estrutural), Arq. Alexandre Ruiz da Rosa, Arq. Sergio Fernandes Tavares (Conforto), Arq. Alessandro Filla Rosanelli (Paisagismo), Arq. Carlos Garmatter Neto (Acessibilidade)
área construída: 888.270 m2
localização: Rio de Janeiro
ano do projeto:2011